Pensar Demais Sabota a Minha Criação de Conteúdo: Como Lido com Isso

Esse vídeo é quase uma sessão de terapia em grupo, gente. Eu tô há anos nessa internet e, até hoje, penso demais antes de postar, eu sou uma pessoa que penso demais pra tudo. Coisa que era pra ser simples vira dilema de três dias dentro da minha cabeça.

Eu realmente sinto inveja de quem liga a câmera, fala o que quer, posta e segue a vida. Esses dias mesmo eu estava postando um monte de stories, se você me segue (@itsanamello) deve ter visto, mas nessa de postar um monte de stories eu parei de criar conteúdo porque não conseguia equilibrar tudo.

Ao longo do vídeo eu vou destrinchando esse overthinking todo e tentando colocar as coisas no lugar: é normal pessoas diferentes falarem sobre os mesmos assuntos na internet se elas estão inseridas no mesmo meio. E esse vídeo não é apenas um desabafo sobre mim, eu também compartilho o que tenho feito pra não deixar minha cabeça me sabotar tanto na hora de criar e viver: colocar prazo nas decisões, usar a tal da regra dos dois minutos, confiar mais na minha intuição e lembrar que ninguém está prestando tanta atenção assim em mim quanto eu mesma.


 

Eu tenho uma inveja muito específica de quem simplesmente liga a câmera, fala o que quer, posta e segue a vida.

Aquelas pessoas que fazem uma quantidade absurda de stories, publicam 10, 15, 20 conteúdos por dia, testam formatos, aparecem sem roteiro e não parecem travar em cada detalhe. Eu olho e penso: “Meu Deus, como essa pessoa consegue?”.

Provavelmente, daqui a cinco dias, eu vou discordar de várias coisas que estou escrevendo aqui. Mas essa é justamente uma das consequências de pensar demais: até a própria opinião parece precisar passar por uma banca avaliadora dentro da nossa cabeça.

Para quem cria conteúdo, o overthinking pode transformar uma ideia simples em um dilema de três dias. Você não pensa apenas no vídeo. Você pensa na pauta, no roteiro, na edição, na reação das pessoas, no que um concorrente vai achar, se alguém já falou daquilo, se o conteúdo vai afetar seu branding e se seria melhor mudar tudo antes mesmo de publicar.

Quando postar mais começa a atrapalhar a criação

Recentemente, eu fiz um experimento sem planejar muito. Comecei a postar muitos stories, todos os dias, desde a hora em que acordava até a hora de dormir. Era conteúdo de tudo: pensamentos aleatórios, acontecimentos do dia, coisas pequenas que apareciam na minha frente.

Se tinha um bicho na mesa, virava story. Se eu tinha uma opinião momentânea, virava story. E foi muito gostoso.

O melhor daquela fase era justamente não pensar tanto. Eu não precisava tratar cada publicação como um grande projeto. Era só abrir a câmera, falar e continuar vivendo. Fiz isso por cerca de duas semanas e queria manter o ritmo.

Mas aí apareceu o outro lado: eu estava gastando tanto tempo fazendo stories que comecei a deixar de produzir outros conteúdos. O feed ficou parado. Outras ideias ficaram paradas. TikTok e YouTube também poderiam ter recebido muito mais conteúdo.

Foi aí que veio a pergunta que trava tudo: é melhor continuar fazendo stories em grande volume ou parar um pouco para criar conteúdos mais estruturados?

Quando comecei a tentar encontrar o equilíbrio perfeito, pensei demais. E, como acontece muitas vezes, pensar demais me fez parar de fazer as duas coisas. Parei os stories e parei os outros conteúdos.

Esse é um padrão muito comum para quem é criador: você está em um momento bom, criando bastante, sentindo que encontrou o ritmo. De repente, começa a analisar tudo, perde o fluxo e não sabe mais qual é o próximo passo.

O overthinking não aparece só na hora de postar

Eu sou uma pessoa ansiosa e já fui diagnosticada com transtorno de ansiedade generalizada. Não tomo remédio, mas faço bastante terapia. E pensar demais não acontece somente quando estou diante de uma pauta.

Eu penso demais antes de aceitar um convite, antes de abrir a câmera, antes de sair de casa e até enquanto estou falando. Às vezes, no meio de uma gravação, fico vários minutos em silêncio tentando decidir qual é a próxima frase certa.

Teve uma situação que marcou muito isso. Fui convidada para um evento pequeno e exclusivo, com cerca de 20 pessoas. Eventos grandes costumam ser mais tranquilos para mim, porque existe muita gente e eu consigo passar mais despercebida. Em um evento pequeno, parece que tudo ganha uma proporção maior.

Eu não ia palestrar. Não precisava fazer nada além de ir. Mesmo assim, fiz várias sessões de terapia por causa daquele convite.

Eu pensava na roupa, no que as pessoas achariam de mim, no que precisava levar e até no conteúdo que deveria publicar sobre o evento. Para criadores e influenciadores, muitas vezes existe um acordo implícito: você foi convidado, então é esperado que compartilhe algo.

Eu não queria ir. Só fui porque o Renan, meu noivo, insistiu que eu precisava encarar esse tipo de situação para conseguir chegar onde queria chegar.

Quando cheguei, peguei uma xícara de café e minha mão tremia. Eu estava preocupada se pareciam achar minha roupa bonita, se me achavam antipática por eu estar quieta e se eu realmente pertencia àquele ambiente.

Isso fica ainda pior porque a internet o tempo inteiro tenta transformar qualquer comportamento em uma leitura sobre você. Ombros para frente significam insegurança. Nariz empinado significa prepotência. Ficar quieta significa antipatia. Sorrir demais significa alguma outra coisa.

É exaustivo viver sentindo que cada detalhe da sua postura está sendo analisado.

“Vão achar que estou copiando”: o medo de falar sobre o mesmo assunto

Outro tipo de pensamento que sabota muito a criação de conteúdo é o medo de publicar uma ideia que alguém acabou de publicar também.

Nos últimos dias, produzi um conteúdo sobre yapping content, ou yapping, que é esse formato em que você abre a câmera e fala. Pode ter alguns cortes, mas não depende de uma superedição e, muitas vezes, nem de roteiro. É bem próximo desse tipo de conteúdo mais espontâneo, em que a pessoa senta e conversa.

Eu tinha preparado esse material para uma parceria e precisava esperar aprovação e definição de data. Só que, no dia em que o conteúdo ficou pronto, vi outra criadora falando exatamente sobre yapping content.

Pronto. Minha cabeça começou:

  • Ela vai achar que estou copiando.
  • As pessoas que seguem nós duas vão achar que estou pegando carona no assunto.
  • Vão pensar que quero surfar no hype.
  • Isso vai prejudicar a forma como percebem meu trabalho.
  • Será que é melhor sugerir outra pauta?

Fiquei pelo menos 24 horas pensando nisso. E aí precisei me lembrar de uma coisa muito básica: duas pessoas que vivem no mesmo universo vão inevitavelmente consumir referências parecidas e falar sobre assuntos parecidos.

Isso é normal. Especialmente na internet atual, em que todo mundo cria conteúdo e a informação circula rápido. É perfeitamente possível que duas pessoas publiquem sobre o mesmo tema na mesma semana, no mesmo dia ou até no mesmo horário.

Não dá para deixar de falar sobre uma pauta importante para o seu público só porque outra pessoa também falou. A sua experiência, seu jeito de explicar, suas referências e sua visão continuam sendo seus.

Se um conteúdo deu trabalho para pesquisar, roteirizar, gravar e editar, não faz sentido abandoná-lo apenas pelo medo da interpretação alheia.

Quando ter muitas possibilidades também paralisa

Ao mesmo tempo em que me sinto mais livre para falar sobre o que quiser, também me sinto presa na minha criação de conteúdo.

Tenho vontade de explorar outros assuntos. Já pensei em criar um canal de curiosidades, um canal sobre cultura pop, um projeto de decoração. São temas de que gosto de verdade. E, por ter construído conhecimento ao longo dos anos, consigo enxergar muitas possibilidades interessantes.

O problema é que todas parecem boas.

Eu sou muito movida por projetos novos. Gosto da sensação de começar, testar e construir algo. Só que também sou muito apegada a tudo o que criei falando sobre criação de conteúdo ao longo dos últimos anos.

A intenção não seria abandonar o que já existe. Seria fazer as duas coisas em paralelo. Mas aí entra o outro pensamento: eu também gosto do meu bem-estar. A vida está encaminhada. As coisas estão funcionando. Por que inventar mais uma demanda?

Às vezes, a resposta é satisfação pessoal. Mas até chegar nela, pode existir uma confusão enorme.

É por isso que eu entendo tanto quem pergunta sobre nicho e diz que gosta de muitas coisas. Quando você tem várias paixões e várias habilidades, escolher uma direção parece muito difícil. Não porque faltem ideias, mas porque existem ideias demais.

Quatro formas de sair do ciclo de pensar demais

Não tenho uma fórmula mágica, até porque isso não é uma situação nova para mim. Pelo menos umas cinco vezes por ano eu entro nesse modo de pensar demais sobre o conteúdo, sobre o que estou fazendo, sobre concorrentes, amizades ou sobre o próximo passo.

Mas existem algumas coisas que ajudam a sair desse estado.

1. Coloque um prazo para a decisão

Uma decisão sem prazo pode ficar morando na sua cabeça para sempre.

Coloque um limite para começar um projeto, testar uma ideia ou parar de insistir em uma situação. O prazo não precisa resolver toda a sua vida, mas precisa impedir que você fique em análise infinita.

Você pode decidir, por exemplo, que vai testar uma ideia por determinado período ou que vai escolher uma direção até uma data específica. Sem um limite, a tendência é continuar pensando sem agir.

2. Use a regra dos dois minutos

A regra dos dois minutos é simples e muito boa para quem trava antes de começar.

  1. Pare de pensar no que precisa ser feito.
  2. Comece a atividade que você está evitando.
  3. Faça apenas dois minutos.
  4. Se estiver impossível continuar, pare e tente outro dia.
  5. Se entrar no fluxo, continue.

Muitas vezes, o maior problema não é fazer. É começar.

Dois minutos gravando, organizando uma ideia, abrindo o editor ou escrevendo uma legenda podem quebrar a barreira mental que parecia gigantesca. Depois que o movimento começa, fica muito mais fácil seguir.

Foi assim que consegui sair de uma conversa cheia de possibilidades e escolher uma delas para começar. Nem tudo precisa estar completamente definido para você dar o primeiro passo.

3. Siga a sua intuição

Eu não sou exatamente a pessoa que coloca tudo na conta de energia, destino ou sinais do universo. Para mim, muitas coisas simplesmente acontecem porque tinham que acontecer.

Mas eu acredito muito em intuição.

Quando existe uma sensação estranha, uma pulguinha atrás da orelha, vale a pena parar para entender o que está acontecendo. Isso fica muito claro nas relações: há pessoas que você conhece e sente que pode confiar quase imediatamente. E há outras com quem algo parece não encaixar, mesmo que você não saiba explicar exatamente o quê.

Não significa tratar ninguém mal ou criar conclusões absurdas. Significa se resguardar, ser cordial, respeitosa e não se expor além do necessário até entender melhor a situação.

Essa mesma clareza pode ser levada para decisões profissionais e criativas. Pode ser uma vaga de emprego, um modelo de negócio, um projeto ou um nicho.

Se existem várias opções, mas uma delas toca muito mais o seu coração, talvez ela mereça mais atenção do que a opção que parece dar mais dinheiro, mas deixa uma sensação constante de desconforto.

4. Lembre-se da sua autoinsignificância

Essa é uma das ideias que mais me ajudam: ninguém está prestando tanta atenção em você quanto você mesma.

A gente pensa muito na roupa que colocou, na maneira como saiu de casa, na expressão que fez no elevador, no conteúdo que publicou e em cada detalhe minúsculo de uma edição.

Enquanto isso, a outra pessoa no elevador provavelmente está pensando no próprio dia, no almoço, no trabalho ou na própria insegurança. Ela nem sabe que você quer criar conteúdo.

Mesmo as pessoas do trabalho que acompanham o que você publica talvez não tenham o peso que você imagina. E, se sua criação de conteúdo pode afetar diretamente sua relação profissional, transparência com a liderança pode ser importante. Mas, fora isso, vale perguntar: o que exatamente muda na minha vida se essa pessoa tiver uma opinião?

Um vídeo que você levou horas para editar pode ser visto por 30 segundos antes de a pessoa seguir para o próximo conteúdo. Isso não diminui o valor do seu trabalho. Só ajuda a colocar as coisas em perspectiva.

A audiência não está acompanhando cada decisão sua com uma prancheta na mão. As pessoas têm a própria vida, os próprios problemas e as próprias preocupações.

Você não precisa ser perfeitamente coerente o tempo todo

Eu levo o princípio da autoinsignificância muito a sério e ele me ajuda a não travar tanto. Mas, obviamente, ainda existem dias em que vou me preocupar com o que as pessoas vão pensar, com um conteúdo parecido com o de outra pessoa ou com uma decisão criativa.

Faz parte.

Também faz parte ser contraditória às vezes. Em certos momentos, você pensa uma coisa. Depois aprende algo, muda de contexto, sente diferente ou simplesmente percebe que sua ideia não era tão definitiva assim.

Isso não significa que você não tem credibilidade. Significa que você é uma pessoa pensando em voz alta, construindo repertório e tentando entender as coisas enquanto vive.

Na criação de conteúdo, a busca por parecer sempre estratégica, sempre certa e sempre coerente pode virar mais uma prisão. Nem todo conteúdo precisa ser uma tese perfeita. Nem toda opinião precisa durar para sempre.

O objetivo não é parar de pensar, é não deixar o pensamento mandar em tudo

Pensar é importante. Planejar conteúdo é importante. Considerar posicionamento, rotina, tempo e bem-estar também é importante.

O problema começa quando pensar substitui agir.

Quando você deixa de postar porque alguém pode falar do mesmo tema. Quando abandona uma ideia porque não encontrou o equilíbrio perfeito. Quando fica esperando ter certeza absoluta para iniciar um projeto. Quando transforma uma situação simples em uma investigação sobre tudo o que os outros podem estar pensando.

Se você também pensa demais antes de criar conteúdo, tenta escolher só um próximo passo. Não precisa resolver o calendário inteiro, o nicho inteiro ou a carreira inteira hoje.

Escolha uma pauta. Grave por dois minutos. Coloque um prazo. Escute a sua intuição. E lembre-se: as pessoas provavelmente não estão analisando você tanto quanto a sua cabeça faz parecer.

Toda terça-fera, às 15 horas, estamos ao vivo para conversar sobre criação de conteúdo. Se você se tornar membro do canal, terá acesso a todas as lives já realizadas.

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